Lula e Trump conversam sobre tarifaço e combate ao crime organizado

 Secom diz que telefonema se deu em ‘tom amistoso e cordial’ e que presidente americano propôs que equipes de governos dos dois países voltem a ser reunir o mais breve possível




– Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram nesta sexta-feira, 21, ao telefone. Segundo o governo brasileiro, o telefonema durou uma hora e vinte minutos, abordou o tarifaço e o combate ao crime organizado, entre outros assuntos. A chamada ocorreu por iniciativa de Lula.

Em meio ao embate político e diplomático entre os governos de Brasil e Estados Unidos, o Palácio do Planalto afirmou que o contato ocorreu em “tom amistoso e cordial”. A Casa Branca ainda não se pronunciou.

O governo Lula não mencionou, na nota, se houve diálogo acerca das eleições no País e sobre a indicação do embaixador americano a ser enviado a Brasília, Daniel Perez. A demora na aprovação de Perez pelo Brasil motivou, como represália, a revogação parcial do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. O governo Lula se queixa de tentativa de ingerência eleitoral pelos EUA.

Lula disse, segundo relato do governo brasileiro, que a negociação comercial é a melhor opção para as divergências tarifárias, apesar do recente acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica. O petista afirmou também que o novo tarifaço, de até 37,5%, tem base infundada.

“O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, disse a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

Os dois presidentes podem se encontrar em setembro, quando Lula viaja a Nova York para a abertura da sessão de debates da Assembleia-Geral da ONU. No ano passado, eles tiveram a primeira interação pessoal nos bastidores da reunião, em encontro precedido por negociações diplomáticas secretas,

Lula também voltou a pedir cooperação entre os países no combate ao crime – o petista reclama que o governo Trump jamais respondeu às propostas de colaboração entregues por ele pessoalmente em Washington. O foco era conter o fluxo financeiro do crime organizado e controlar a remessa de armas de forma clandestina ao Brasil.

Trump indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para tratar do assunto, segundo o governo brasileiro.

O presidente brasileiro se manifestou contrário, mais uma vez, à designação como terroristas das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

“Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”, informou o Planalto.

Os presidentes também discutiram soluções para as guerras entre Rússia e Ucrânia e com o Irã, além do conflito ampliado no Oriente Médio, que envolve Israel. Lula propôs a convocação de reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU e se queixou da inoperância do órgão. O petista recusou, neste ano, participar do Conselho da Paz, criado por Trump.

Leia a íntegra da nota da Secom sobre o telefonema
O presidente Lula telefonou esta manhã, dia 21 de agosto, para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa, que durou uma hora e vinte minutos, abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global. A ligação transcorreu em tom amistoso e cordial.

Sobre a recente imposição de novas tarifas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o presidente Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas. Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.

O presidente Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las. Informou sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima. Também comentou sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. Também mencionou o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. O presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área.

Os dois presidentes trocaram impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos. O presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República


Lula e Trump falaram sobre eleições durante ligação


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perguntou ao chefe do Executivo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre as eleições no Brasil durante a ligação telefônica que tiveram nesta sexta-feira (21), de acordo com fontes ouvidas pela CNN.


Segundo a reportagem apurou, Lula respondeu ao americano que as campanhas estão transcorrendo com tranquilidade e que há vários candidatos à Presidência. O presidente também defendeu o sistema eleitoral brasileiro, afirmando que a Justiça Eleitoral brasileira garante eleições livres e transparentes.


Ainda de acordo com interlocutores, em momento algum foi mencionado, por nenhuma das partes, o nome de qualquer integrante da família Bolsonaro. Também não houve comentários sobre ministros do Supremo Tribunal Federal, nem sobre a possibilidade de nova aplicação da Lei Magnitsky novamente contra Alexandre de Moraes.


A avaliação de integrantes do governo é a de que a pergunta de Trump sobre as eleições tenha sido apenas uma "cortesia", já que o americano sabe que Lula concorre à reeleição.


Em nota, o Palácio do Planalto disse que Trump concordou com “a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível".


"Sobre a recente imposição de novas tarifas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o presidente Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”, diz trecho da nota.


Ainda de acordo com o Planalto, Lula voltou a manifestar o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado.


"Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”, afirma.



Diplomacia de Alto Nível: Lula e Trump Conversam por 1h20 Sobre Tarifaço, Crime Organizado e Cenário Global

Em meio a um cenário de fortes atritos diplomáticos e pressões comerciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou na manhã desta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O diálogo, que durou 1 hora e 20 minutos, ocorreu em tom “amistoso e cordial”, segundo informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

A iniciativa da ligação partiu do chefe do Executivo brasileiro e teve como eixos centrais a contestação das novas sobretaxas impostas pelos EUA a produtos do Brasil, a cooperação na segurança pública contra o narcotráfico e as saídas negociadas para conflitos internacionais.

Comércio e Tarifaço: Apelo à Negociação e Diálogo Técnico

O ponto mais sensível da pauta envolveu a imposição, por parte do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), de novas tarifas comerciais que alcançam até 37,5% sobre itens brasileiros.

Lula contestou formalmente as justificativas apresentadas por Washington — entre elas alegações relacionadas a desmatamento, propriedade intelectual, acordos preferenciais, combate à corrupção, etanol e o sistema de pagamentos Pix —, classificando os argumentos como "infundados". O presidente brasileiro enfatizou que a escalada protecionista afeta negativamente as duas economias e defendeu que a mesa de negociações continua sendo a melhor alternativa.

Apesar do acionamento recente da Lei de Reciprocidade Econômica pelo governo brasileiro, Lula reiterou o interesse em manter os Estados Unidos como um dos principais parceiros comerciais do país. Em resposta, Donald Trump concordou com a relevância de preservar vínculos comerciais sólidos e sugeriu que as equipes técnicas de ambos os governos voltem a se reunir o mais breve possível para buscar convergências.

Segurança Pública e Enquadramento de Facções

Outro tema de destaque foi a cooperação bilateral no combate ao crime organizado. Lula voltou a cobrar um engajamento mais efetivo dos EUA no controle do fluxo financeiro ilícito e no combate ao envio clandestino de armas em direção ao Brasil.

Sobre o debate em torno da eventual designação de organizações criminosas brasileiras como "grupos terroristas" por parte de autoridades americanas, o governo brasileiro manteve posicionamento contrário:

  • Diferenciação jurídica: Lula argumentou que, embora essas facções espalhem medo e afetem o cotidiano da população, o enquadramento não deve ser confundido com organizações terroristas.

  • Autonomia e instrumentos locais: Destacou-se que o Brasil possui arcabouço próprio para o enfrentamento da criminalidade sem a necessidade de classificações estrangeiras.

  • Ações em curso: Foram citadas a estratégia de asfixia financeira do crime (com apreensão de cerca de R$ 17 bilhões), os planos para a adequação de 138 presídios para o modelo de segurança máxima, a Lei Antifacção, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, sediado em Manaus.

Trump demonstrou disposição para fortalecer a cooperação e indicou a mobilização de funcionários de alto escalão para acompanhar as tratativas nessa área.

Geopolítica Global e Clima Eleitoral

No plano internacional, os dois líderes discutiram o impasse prolongado nas guerras da Ucrânia e do Oriente Médio. Ambas as partes defenderam a necessidade de soluções diplomáticas rápidas. Na oportunidade, o presidente brasileiro lamentou o travamento das decisões no Conselho de Segurança da ONU e reiterou a proposta de convocação de uma reunião extraordinária do órgão.

Fontes informaram ainda que a pauta eleitoral no Brasil foi mencionada brevemente de forma cortês. Diante da pergunta do presidente americano sobre o cenário político no país, Lula ressaltou que as campanhas correm com tranquilidade e reafirmou a higidez e a transparência do sistema eleitoral conduzido pela Justiça Eleitoral.


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